No post anterior falamos da importância de definir seu nicho. O nicho vai te categorizar dentro de um segmento de mercado, e a partir disso você poderá estudar que tipo de parcerias e publicidades se encaixariam neste nicho.
Lembrando que são apenas DICAS e não regras de conduta, pois sempre há nuances em cada caso e só você sabe o que fica melhor em seu blog.

Sabem aquilo de "não faço parte de grupo" ou "não gosto de me categorizar". Se você é de nicho, você consequentemente FAZ ou É parte de um grupo/categoria/segmento de mercado. E você vai ter que estudar esse segmento pra interagir com ele, afinal, fazer parceria é entrar como divulgador de empresas.

Antes de ler este artigo, você já leu os anteriores pra se situar? Se não, seguem os links:
1. Sobre parcerias em blogs alternativos: "Se eu te der um colar, você escreve sobre minha loja?
2. Blogs e Instagrams Alternativos: a exigência de números é mais prejudicial do que parece!
3. Blogs e Instagrams Alternativos: a compra de likes
4. Publicidade em Blogs Alternativos - Como Começar? 


Conteúdo 
- É mito dizer que tem que postar todo dia. 1 artigo bom é melhor que 5 meia boca. Ter qualidade é melhor que quantidade. E assim você dá tempo do leitor acessar seu blog, afinal, seu leitor deve visitar dezenas de sites por semana, já pensou nisso? Então esquece essa neura de "prometo postar mais por aqui"... 

- O que você pode fazer é distribuir seus posts programando-os. Acha que vai ficar vários dias sem postar nada ou quer postar coisas todos os dias? Programe-se! Programe os posts pra serem publicados 1 ou 2x por semana se for o caso, crie uma agenda. 

- Se vai escrever algo relevante, evite textos rasos, com menos de 500 palavras. Faça pesquisas fundamentadas ou publique opiniões com seus pontos de vista ou análises. Faça o leitor querer voltar a seu blog, seduza com a escrita, com as palavras, com as imagens...
Se todo mundo tá fazendo curto, faça longo. Se todo mundo tá fazendo verde, faça azul. Essa diferenciação atrai, gera curiosidade e faz as pessoas quererem voltar pra ver o que você aprontou agora.

Produza conteúdo e se necessário, programe postagens.

Influência
Se um dia alguma loja virar pra você e dizer algo: "seu instagram/seu blog não é influente". Pense: "não é influente pra quem?" Se você tem seu blog, você tem seu público. E muitas vezes uma pessoa com 500 fãs no insta é mais influente em seu NICHO do que se tivesse 50 mil seguidores mainstream que não vão comprar nada da loja alternativa (só vão admirar as fotos)! 
Por isso que digo que tem loja que tá perdida nesse lance de divulgação. Elas estão confundindo influência com números quando se trata de nicho! Portanto questione sempre estes detalhes.

- Se você fala diretamente para seu nicho; se aborda um nicho dentro do nicho; se oferece conteúdo autoral e de qualidade que faz pessoas voltarem sempre ao seu blog, acaba gerando uma influência/forma opiniões. Mesmo que seja um blog de looks/lifestyle. 

Você bloga looks do dia mas mora no sertão nordestino. Como se manter alternativa - não necessáriamente gótica ou headbanger, especialmente porque o nicho "gótico" já tem muita gente abordando - naquele clima seco e quente? Você vai estudar pesquisar tecidos, tipos de roupa e vai criar looks em cima disso. Seu blog terá um nicho.

- O nicho geralmente requer conhecimento sobre um tema e isso, é só estudar, pesquisar, algo que realmente goste, independente de modismos. O nicho sempre terá menos publico que o mainstream, mas o que importa é o conteúdo. E anunciantes podem se interessar por seu público.

Seja criativa!
 
Mídias Sociais
O mundo diz que devemos estar em todas as redes sociais possíveis. Somos blogs alternativos e em alguns casos é meio impossível estar em todas as redes sociais por causa de tempo. Lembre-se que grandes blogs mainstream tem uma equipe de trabalho, ou seja, nem sempre quem cuida das redes sociais é exatamente a blogueira.

Tendo um blog você tem controle sobre seu conteúdo. As redes sociais trazem tráfego pro blog, mas não monte seu blog totalmente focado nelas!
Se busca acesso em seu blog, não monte seu blog totalmente nas mãos das redes sociais porque no face, insta e etc, você fica a mercê das regras deles. O facebook só manda o feed pra 1% dos que deram like nas páginas. O Insta recentemente também reduziu o envio do feed (não sei qual porcentagem é), a intenção deles é que você pague anúncios pra ser divulgada (sim, a grana vai pro Vale do Silício!). E lembrem-se que Myspace e Orkut sumiram e perdeu-se o conteúdo de lá
Focar 100% nas redes sociais que mudam de regras a toda hora pode ser complicado. De repente você faz um post super legal no Face ou Insta e com o tempo aquilo se perde. No blog, sempre estará lá.

Então o que fazer?
Esteja nas redes sociais que você mais se identifica.
Mas lembre-se que cada uma delas tem um estilo, uma linguagem.

Se você visa crescimento do blog em acessos (números),
suas redes sociais devem redirecionar as pessoas ao blog! E não o contrário.

Por exemplo, se você tem um blog e quer acessos, mas posta mais sobre "me segue do insta". Analise esta atitude. O ideal é usar o face/insta pra redirecionar ao blog: Posto foto no insta e digo: "link pra matéria do blog na bio" ou já deixo o link da matéria no perfil do Insta ou jogo um link (tem gente que acessa Insta pela web e consegue abrir os links copiando e colando).

Fez um vídeo e jogou no youtube? Mas peraí! Você não quer acesso em seu blog?
Fácil: poste o vídeo no blog e divulgue o post do blog! Se divulgar apenas o link do youtube, o blog não receberá esse acesso. 
Pense nestas divulgações "casadas".
O que você tem que fazer pra trazer acesso ao blog e chamar as pessoas pra ele!
Lembre-se que acessos demoram um pouco pra vir, a não ser que você seja abençoada com uma fama instantânea por algum motivo (bom, de preferência rsrs).
Por isso, faça seu conteúdo, como você gosta, como você é, redirecione as pessoas para seu blog e vá analisando os resultados.

Sobre as mídias sociais:
1. Use-as pra divulgar o blog e os posts
2. Adeque as publicações em cada uma delas.
Ex: Não poste a MESMA coisa em todas as mídias. Poste coisas diferentes. Senão as pessoas não vão te seguir em todas, fica entediante.
Se eu postar mesma foto no Face, no Insta, no G+, no Tumblr... porque a pessoa vai me seguir em todas as mídias se eu posto a mesma coisa em todas? Então você tem que produzir conteúdo adequado a cada uma das redes sociais.

Analise seu nicho, seu público e vá criando identidades para suas redes sociais. 
Se precisar, vá anotando as ideias e os dados!


Layout 
Um layout que represente seu blog é fundamental. É a mensagem que você vai transmitir pra quem chega através do conteúdo e elementos visuais que compõem seu blog.

No caso de blogs alternativos não vejo como obrigatório um layout e servidor próprio, pois o mais importante é a personalidade da blogueira, mas caso deseje um layout e servidor próprio, vá em frente. Procure layouts que te representem. Procure escrever - se seu foco é texto - em letras boas e bem fáceis de ler. Se seu foco é em imagens, talvez um visual clean as destaque. Se o foco é você, sua vida, tente fazer o layout ter a sua cara!



Estou chegando ao fim destas postagens sobre blogagem. No máximo mais dois posts.
Espero que as dicas estejam aproveitáveis e até a próxima, Dyvas!

 


Existem pessoas que gostam de blogs mais pessoais e intimistas, mas e quem quer colocar publicidade em seus blogs, quais as dicas? 

Lembre-se: se seu blog é alternativo, NUNCA se compare com blogs mais mainstream! O alternativo tem diversos nichos, cabe a você decidir seu nicho e confiar na sua capacidade. Mas as "técnicas" de publicidade podem ser as mesmas usadas no mainstream.
Um ponto a se observar é que algumas meninas alternativas que tem muitos fãs ou blogs muito acessados, flertam com o lifestyle, comércio e padrão de beleza mainstream, por isso elas conseguem muitos seguidores. Mas se você não se identifica com isso, se o mainstream não te atrai, mantenha-se alternativa e fiel aos seus valores pra criar credibilidade no seu nicho. Você terá seu público, eles irão reconhecer que você é autêntica.


Para tornar seu blog com mais potencial comercial, você:
Precisa redirecionar seu conteúdo. 

O que quero dizer com isso?? Que você PRECISA decidir qual será o assunto foco de seu blog.

Vou dar meu exemplo pessoal aqui:
Em outubro de 2009 criei o blog Moda de Subculturas pra falar sobre... subculturas. 
"Subculturas" - é o assunto foco do blog. Ou seja, todo o resto do conteúdo é diretamente ligado às subculturas.
Ok.
Só quem em janeiro de 2010 - 3 meses depois da criação do MdS - eu queria falar de coisas pessoais mas que não cabiam no MdS. Foi aí que criei o Diva Alternativa.

Por ser de nicho, o Moda de Subculturas tem seu público e é mais fácil eu formar uma estratégia de publicidade nele. Enquanto que o Diva Alternativa, por conter assuntos "aleatórios" focados na minha pessoa, tenho mais dificuldade em aceitar publicidade, pois é MINHA imagem que será associada. 
Existem blogs pessoais que o foco é a "vida da pessoa" e, pra esses blogs terem publicidade, a vida/imagem dessa pessoa tem que ser vendável.
Eu não me acho vendável, por isso não coloco publicidade gigante no Diva. 
Em contrapartida, acho o MdS um blog "vendável", porque engloba assuntos de entretenimento, cultura e informação, um bom local pra colocar links de empresas interessadas no público que gosta das subculturas, tribos de estilo e moda alternativa.
Acho que ficou bem fácil entender a diferença dos blogs né? Optei por escolher um tema como foco, que fez um blog crescer mais que o outro.

Então: 
- escolha seu nicho (no Moda de Subculturas meu nicho são as subculturas do Rock porque eu sou fã de Rock);
- escolha seu assunto principal: algo que você é apaixonada, que gosta de falar sobre o tempo todo e que não perde o interesse. Pode ser algo que você é realmente boa em pesquisar, analisar, pode ser uma de suas competências profissionais, algo que você não cansa (no Moda de Subculturas, eu falo de um tema que amo, tenho curiosidade, nunca me cansa e sempre me inspira).
- Se for um tema com "pouca concorrência" de blogs, melhor ainda (quando criei o MdS nenhum blog nacional falava da influência das subculturas na moda mainstream, esse foi o "gancho" que o tornava diferente dos outros blogs); 
- Procure conteúdo semelhate na web e analise, veja o que falta ou o que não está tão bem feito ou explorado e seja a pessoa que vai oferecer isso (eu procurava informações sobre subculturas e o que eu encontrava não me satisfazia, então decidi que eu seria a pessoa que ofereceria aquele conteúdo que eu procurava e pra isso, tive que aprender a pesquisar nas fontes certas e me dedicar à escrita. Isso fez com que as pessoas passassem a indicar o blog e assim ele foi crescendo).


 AMO estudar e aprender sobre subculturas do Rock, nunca me canso
por mais que os anos passem ou que "saia de moda".


Hoje está em alta falar de maquiagem. Você ama maquiagem? Ótimo. Mas já pensou se um dia isso passa? Por isso é necessário a paixão pelo que se escreve, porque independente de um assunto estar na moda ou não, você continuará firme. Sua motivação será  seu amor pelo tema. 

Você gosta de blush? Que tal um blog de maquiagem com foco no blush, desde sua história à dicas de uso e marcas?
Você é alérgica à alguns produtos? Que tal dicas de maquiagens hipoalergênicas?
É índia, negra, muito pálida: maquiagens e cores que ficam boas no tom de sua pele. Pra isso, um estudo sobre cores, um estudo sobre marcas rolará como assuntos interligados... 
É vegana? Idem!
E assim vai...
Com certeza TEM um assunto que você ama e que faz seu coração bater! Pode ser um escritor, um tipo de literatura, seus filhos, seus animais, suas ideologias, suas crenças, música...

Definido seu nicho, defina seu tema foco (todos os outros girarão em torno dele).  
 
Menos postagens "aleatórias" - foque em segmentos que gosta e produza um conteúdo autoral com qualidade. Se o conteúdo for original e se você tiver algo de "diferente" a oferecer, melhor ainda. Pra quem faz look, o fundamental é definir seu estilo baseado em seu gosto próprio, não sendo necessário "seguir tendências alternativas" e nem "modismos alternativos". Quanto mais autêntica você for, mais interessante se torna aos olhos do público.
Notou que algumas meninas que se destacam na web com seus looks seguem um estilo bem pessoal e não necessariamente modista?
Como descobrir  seu estilo próprio? Com autoconhecimento. Às vezes você curte looks que outras pessoas não gostam, mas e daí? Você gosta e é isso que importa.
Se o foco do seu blog é seu lifestyle ou suas opiniões, escreva bons textos, de forma clara e direta, atraia o leitor para "sua vida". Leia e releia o texto pensando se você se sentiria atraída pela escrita.

Em dúvida? 
Teste o que funciona melhor no seu blog (tipos de post). Veja quais são seus posts com mais views ou com mais comentários e observe, analise o que fez as pessoas se atraírem por aquele post específico que pode vir a se tornar seu nicho ou tema principal.



"segue meu blog; curte minha fanpage; me segue no insta; dá like no vídeo..."
Frases comuns ditas por quem bloga/vloga e almeja profissionalização e manutenção de seus espaços.
Viramos escravas do sistema em busca da sobrevivência na web. Posso estar soando exagerada mas eu mesma faço esses pedidos aos leitores. 
Me questiono se é justo e correto eu interferir no livre arbítrio dos leitores condicionando-os a executar uma ação.
Na verdade eu penso: quem gostou vai "seguir" sem eu pedir. Ao menos, eu sou assim, aperto o seguir ou o like não porque pediram, mas porque quis.
Mas há quem diga que condicionar pode influenciar uma pessoa a um ato mecânico inconscientemente. Vai saber...

Não à toa rola muita compra de likes em todo lugar, a onda agora é no Instagram. 
E cá entre nós, é barato comprar esses likes em fotos e seguidores.
E é relativamente fácil descobrir quem comprou seguidores. 
Se você acompanha alguém com 400 seguidores e umas semanas depois a pessoa já tem 2500 é porque algo aconteceu. Basta ir aos seguidores e conferir. Se você encontrar grande quantidade de perfis fakes, com fotos aleatórias, sem nome ou sem foto ou privados com nenhum post....bom... é uma amostra do tipo de robôs que foram comprados. O mesmo com os likes em fotos. Uma pessoa que tinha em média 30 ou 40 likes em cada foto e agora tem 200 ou 300, conferindo quem deu aqueles likes: novamente encontraremos perfis estranhos. Você pode ler mais sobre aqui e aqui.


Cada um faz o que quer de suas redes sociais, mas deixo aqui esse ponto como amostra do tipo de sociedade em que estamos vivendo, onde o número importa mais que o ser humano real. 

Independente de você comprar likes ou não: se é usada pelo sistema você não deixa de ser vítima do sistema. Mas a gente sempre tem a opção de não ser vitima fazendo escolhas que vão de acordo com nossa ética pessoal ou ideologias alternativas.

  Seja sincera com seus leitores/seguidores, sempre!
A credibilidade é algo que loja e like nenhum pagam! 


E por isso eu me sinto, curiosamente, cada vez mais "alternativa", porque cada vez me encaixo menos - ideologicamente - na forma que a sociedade de massa e de consumo tem se comportado. 
E não, isso não me faz sentir melhor ou superior.
Pelo contrário, o próprio sistema faz a função dele: me sinto um "desencaixe". Buscando de alguma forma me manter honesta a quem sou. 
Oprimir os oprimidos, ninguém faz isso melhor que a máquina.



Meu grande lance com a moda sempre foi que eu não gosto de comprar coisas que vão ficar datadas.
Isso quer dizer: tendências.
Não consigo me adaptar à tendências.
Embora algumas se adaptem ao meu estilo,  não necessariamente vou consumi-las. 


saia preta lápis, meia calça, luvas: eternas!

O mercado alternativo agora é cheio de tendências "alternativas" e isso, de certa forma, tem me desanimado. Bastante coisa igual, muito foco na venda do que vende e não tanto na originalidade que antes me fascinava.
Tanto potencial criador e criativo desperdiçado...

 Acabo tendo marcas preferidas que fazem peças atemporais. E invi$to nelas.

Atemporais = roupas que nunca sairão do meu estilo pessoal.
Meu estilo pessoal não muda muito, na verdade é de praxe eu vestir blusas básicas e colocar como ponto de destaque saias e acessórios. Renda é algo atemporal pra mim (uso mesmo no dia a dia). Designs cleans e limpos também. E continuo no fase do preto, então sim... muita coisa preta.
Adoro peças edgy, mas é aqui que entra meu rígido rigor de seleção sobre o que consumir e o que não consumir. Mesmo as peças edgy precisam ter ser atemporais à seu modo. 

Andei pensando de onde veio esse meu "interesse pelo atemporal". 
Cheguei à possíveis motivos: 
1. Fui criada por uma mãe básica e clássica. Elegante à seu modo. Adorava vê-la se vestir.
2. Vivi a crise econômica brasileira dos anos 90 durante parte da infância e adolescência. Com pouca grana, comprar peças que eu poderia usar por muito tempo e que não saíssem de moda, era um jeito de não precisar gastar o dinheiro que não tinha.
3. Meu horror ao desperdício e consumismo. Essa cultura do "lixo" e "descartável" nunca me atraiu. 
4. Meu interesse por design. Pra destacar algo com design, o atemporal serve de base.
Não sei se isso justifica. Agora, nesta fase de adulta, meu gosto estético está caindo mais pro dark glamour e menos pro alternativo "chocante" que era comum nos meus 20 e poucos anos.

Dark Glamour


Olá Divas Alternativas!
Aquele projetinho sobre dicas de parcerias e publicidade em blogs alternativos, ao invés de postagem será mais prático fazer um e-book e oferecer pra download, enquanto isso continuo levantando questões e pontos de vista sobre aquelas perguntinhas por aqui.
Quero deixar bem claro que os textos são focados no conceito tradicional de alternativo, ou seja, meu foco é pra quem é nicho mesmo

Lojas exigem mesmo números?
ALGUMAS lojas alternativas não. MAS muitas sim.

Lojas (ou empresas) alternativas se curtem seu espaço, se acham que seu blog/IG tem a ver com o público deles eles não vão te exigir número. Pois a identificação dessas lojas é com a essência de ser alternativo, quero dizer, o foco deles é no nicho, com um público específico.

Mas existem lojas que sim, que querem números. Infelizmente isso é algo crescente. Digo "infelizmente" porque ser alternativo não é regra, é exceção, naturalmente somos em quantidade menor.
Neste caso, não tem a ver com nicho, é uma questão de mercado/vendas e não tanto de público alvo. As lojas querem vender, não importa pra quem. Não importa se tá vendendo pro alternativo ou pra moça que tá só curtindo a tendência alternativa e quer pagar de #diferentona.

 
Meus pontos de análise:

1. Como exigir números de um público que é NICHO? Ser de nicho é não ser de massa.  
A maioria da população não é alternativa, então, nesse caso o empresario não quer somente o público alternativo, ele quer público, independente de qual seja. 

Ex: algumas de vocês lembram que ano passado uma loja que se intitula alternativa jogou no Instagram a seguinte chamada:

"Procuramos divulgadoras, exigência: mais de 7 mil seguidores".


Fiquei bem chocada.
Exigir um número x de seguidores pra um público ALTERNATIVO...?
Na época, fui no Instagram de algumas meninas alternativas, e olhei a quantidade de seguidores que tinham, a que tinha mais seguidores tinha 3000.
Claro que não considerei as "famosinhas" do insta porque elas tem uma linguagem que flerta com o mainstream e algumas são até divulgadas por mídias grandes.
E aí eu pensei, "ok, as meninas alts mais legais que eu conheço não podem se candidatar a serem promoters dessa ' loja alternativa' porque elas não tem seguidores o suficiente??"
Foram todas excluídas automaticamente pela loja!


Acabou que dei unfollow na loja, porque ela não era tão interessante e ficou menos ainda, não representa, exclui. Exclui várias meninas legais e que fazem bom trabalho mas que não tem números altos. Não faço questão de seguir loja com essa abordagem.


2. As lojas não exigem qualidade de conteúdo nos blogs/Instagrams e também perpetuam um padrão estético mainstream.
Muitas das pessoas com milhares de seguidores tem um padrão estético aceitável. A pessoa alternativa que não tem padrão ou foge de alguns padrões, pelo olhar de muitos não será considerada "bela" o suficiente e terá menos seguidores. E no Brasil ainda temos o adendo da classe social, aqui existem SIM o preconceito de classe.


3. Lojas investem em meninas com vários seguidores, mesmo que essas meninas tenham estilos pessoais diferentes do produto vendido pelas lojas.

Exemplo hipotético 1 a menina é romantigoth, mas no seu dia a dia investe num visual básico. E daí ela pega parceria de divulgar peças fetichistas. Por que a loja não escolheu uma menina que já usa fetichismo no dia a dia?

Ex 2: a menina é retrô e tá divulgando coisas witchy. Por que a loja não escolheu uma menina que já usa/é witchy no dia a dia?

Se essas meninas conseguem parceria é porque elas fazem um trabalho fotográfico/de divulgação aliado à números que agrada as empresas. Isso é mérito delas. Ok. Nada de errado.
Só que
caímos de novo na questão 1. As lojas não estão pensando no público alternativo "verdadeiro", estão pensando no mercado de tendências, em vender pra quem quer que seja usando dessas meninas populares. Só que esse
ciclo não favorece o alternativo de nicho - que fica excluído.


O processo que exige números/likes tem excluído ótimas meninas alternativas, o que exclui o próprio público consumidor e isso é péssimo pra imagem dessas lojas. Eu ignoro (perco o interesse) até que elas mudem seus comportamentos. 

Incentivam uma disputa não saudável. Indiretamente mexem com a auto estima. Reproduzem os hábitos mainstream de a gente se achar errada e que precisamos "melhorar", precisamos "ter sucesso" (sucesso hoje é número), precisamos nos encaixar num sistema...

Auto estima, cadê você? Ninguém me ama, não tenho likes.


O lado ruim disso é muito claro: alternativos de verdade CONTINUAM sendo excluídos do mercado inclusive, pra nossa decepção, por empresas que deveriam os abraçar como público consumidor diferente e únicos que são.

É sobre isso que falarei no próximo post, abordando inclusive a compra de likes e como descobrir se uma pessoa os comprou.