OOTD: Velvet and Lace

Recentemente a Dark Fashion lançou uma coleção em veludo e renda. Eu gostei de todas as peças e acho que a marca deu um puta salto em termos de variedade de produtos pra oferecer pras clientes já que essa linha pegou uma estética mais adulta e sofisticada. 
Mas se vocês repararem, boa parte das peças, se usadas sozinhas, perdem um pouco da chiqueza e se tornam mais "usáveis". A questão é que não tem jeito! Veludo é lindo, chama a atenção e se torna o destaque de qualquer look mesmo que usado acompanhado de uma peça mais simples.

Eu montei esse look com uma espécie de "conjunto" da coleção, a blusa 2026 e saia 5005. E eu repito algo que já falei mil vezes: as roupas da Dark Fashion são muito mais bonitas pessoalmente do que nas fotos do site e essas peças em especial se superam! São maravilhosas, tanto pelo caimento quanto pela qualidade do material.

Esse look é de passeio, mas eu tô botando fé que ele vai ficar ótimo em festas! A blusa por exemplo, vai pode ser usada no trabalho e em almoços ou jantares sofisticados acompanhado de uma calça e sapatilha ou outro modelo de saia.
Claro que a mocinha aqui tem cabelo rosa e usou uns acessórios "darks", o que chama a atenção, mas pra amenizar esse visual basta trocar os acessórios e calçados. Não tem essa de "não sei como usar essa coleção", o uso da mesma depende de experimentar com outras peças do seu armário.


Esse sapato, eu adoro! Tenho há muitos anos (compro super pouco calçados) e combina com tudo que tenho. 
Por ser verniz, parece que está sempre novo.

A meia calça de cruz, comprei na Marisa em junho. Meu tamanho costuma ser P. Mas essa meia tem algum problema porque quando chegou nas coxas, ela praticamente já tava toda esticada! Às vezes eu compro meia calça tamanho G porque aí elas ficam mais soltas e não rasgam fácil. Eu recentemente comprei mais uma igual na liquidação de meias da loja, porque suspeito que essa vai rasgar rapidinho.

  
Detalhe do tecido vermelho com estampa damasco. Não consegui reproduzir na foto a cor exata dele, mas é um vermelho fechado e os desenhos em preto são aveludados.


Com esse look me senti numa versão de algum look do adorado blog Sophistique Noir rsrsrs!! Depois vou mostrar looks usando as peças separadamente, pra vocês verem como é adaptável pra outras situações. 
Ah! Eu estou usando uma anágua por baixo da saia, sem a anágua ela cai mais juntinha no corpo.


Os wristcuffs são da devas, com 2 tipos de renda e tem miçangas pretas em cada entradinha da borda da renda.
 

Precisei postar essa foto pra mostrar o corsage, também da Devas, que estou apaixonada, é muito perfeito! *_*
Ele é com a mesma renda trabalhada do corsage e uma flor negra.
Nesta foto estou com uma gargantilha da marca alternativa que eu fui estilista muuuitos anos atrás. 
Eu achei que ela pesou um pouco no look, e retirei.


Espero que tenham gostado, até a próxima! ;D
(*)
>> Translation <<
This OOTD is called Velvet and Lace. Recently one of my favorites brazilian alternative stores, Dark Fashion, launched a new collection in velvet and lace. I loved all the pieces since this line took a more adult and sophisticated aesthetic.
I put together this look with a kind of "set" of the collection, the blouse and skirt.
The shoes, I love it! I have it a long time and It combines with everything I have. The pantyhose cross, I bought at a department store called Marisa. The wristcuffs and hair corsage are from Devas, a lolita brand from Brazil.
I hope you enjoyed, until next time!

O preconceito estético no meio alternativo...

Cada dia que passa, embora haja informação em todo lugar, percebo que ainda é muito forte o preconceito com os alternativos e com quem não tem a beleza padrão ou não faz o que tá na onda do momento.
Esse preconceito vem de todo lado, seja de um empresário, de uma pessoa letrada, de um popular, mas o que tem me chocado mesmo é quando esse preconceito vem de pessoas que são ou trabalham com o próprio meio alternativo.

Pode parecer bizarro mas às vezes tenho a impressão que a cena alternativa está cada vez mais preconceituosa. Se você não tem o look x - que tá na moda - e se você não faz look do dia divosamente no padrãozinho do momento, se não tem o cabelo tal e uma tatuagem maneira, você fica pra depois.
Estilo próprio pra quê né? Não vende! E não vende por um motivo muito simples: é próprio!
Custa entender isso??

A gente pode vender uma roupa num publipost, pode vender um estilo de vida, pode vender um look que todos desejarão. Mas ética e integridade é algo que não dá pra vender. Isso nos pertence (quem vende isso, se chama "corrupto"). Assim como meu estilo, comercial ou não, me pertence!

Minhas fotos da semana: 1. Não sou a beleza padrão, meu nariz grande é o diferencial de meu rosto, o que faz as pessoas dizerem que "tenho uma beleza exótica", seja lá o que isso signifique. 2. Poste numa rua da cidade "desculpa amiga, nada pessoal", pessoas hoje se ofendem muito fácil. Acham que tudo é pessoal, até mesmo o que não é. 3. "Viva a Sociedade Alternativa!" (juro que não fui eu quem pichei!!) fiquei feliz ao ver essa "arte" numa rua de Taubaté e 4. Estilo "próprio" é "meu" e ponto!



Em tempos de dinheiro em primeiro lugar e respeito em último, quando oferecemos, querem nosso espaço, dizem que somos legais, tudo a ver! Mas assim que conseguem o que querem desaparecem ou dizem nas entrelinhas que a gente não é tão "interessante" assim, deixa pra depois, volta amanhã... a outra pessoa é mais legal. E mais linda. Como se além de tudo, você tivesse a obrigação de ter nascido linda também.

Há ainda os que se dizem alternativos mas... eles mal sabem o que é SER alternativo. 
E amam sugar! Sugam a gente, nosso trabalho, nossa energia, nossas ideias de postagem...
Estão lá, usufruindo da nossa criatividade sem dizer obrigada. Eles se diminuem tanto que nos passam a mensagem de que são incapazes de ter suas próprias ideias. Precisam copiar a dos outros.

Sabe o que é o mais triste pra mim? 
Que em nossa sociedade, inteligência, boas e inovadoras ideias não são tão valorizadas quanto ser bonita e fotogênica.  
Por isso mesmo eu me considero alternativa: porque não penso como estas pessoas. E outra coisa: acho, como uma feminista em formação, que toda a mulher tem o direito de ser feia, exótica, fora do padrão corporal e ser respeitada por isso, ser valorizada por isso e cá entre nós... as mulheres assim, que não são padrão, acabam desenvolvendo inteligência e sagacidade porque não tem a beleza pra se apoiar como muleta.

E aí, a gente reclama tanto das pessoas "normais" e quando vê, os próprios "alternativos" estão reproduzindo hábitos que dizem repudiar. Porque este tipo de comportamento, independe de ser "alternativo", é uma questão de caráter!
E caráter amigos, também não se compra.

Dica: Usando saia de renda por cima de legging!

No post do Projeto Alternativa para todos, o look preferido das meninas que comentaram foi o de uma saia de renda sendo usada por cima de uma legging.
Quando novinha eu costumava usar leggings, mas depois que virei adepta das saias eu me desacostumei com ter meu corpo tão exposto numa calça (até mesmo em calças jeans), já que as saias que uso apenas delineiam o corpo mas não expõem explicitamente pernas e quadril. Não se trata de caretice ou conservadorismo, é mais a questão de meu olhar ter habituado à uma determinada estética. Eu acho lindo meninas que usam legging estilosamente!


Já que super me desacostumei de me expor em leggings (exceto em ambientes propícios como academia, claro!), uma das formas que encontrei de usar legging com blusinhas mais curtas, foi fazer uma saia de renda pra usar por cima.

Vou mostrar 2 modelos que fiz pra vocês.

1. Saia de renda com cós de elástico
Renda: pode ser simples ou aquelas com acabamento nas pontas. Vai do seu gosto. 
Eu encontrei numa loja uma renda com cara de "chique" e com bordas desenhadinhas.



O modelo da saia é muito simples, trata-se de um retângulo com costura na lateral e elástico na cintura.

A medida do elástico é normalmente de 4 a 8 cm a menos que sua medida do quadril, pra ele se encaixar na cintura (ou uns 4 dedos abaixo dela) sem te apertar. É só fazer uma "casinha" na renda e colocar o elástico dentro.


Ela é assim:


Dá pra usar ela sobre legging, dá pra prender alfinetes de segurança em locais estratégicos pra fazer babados e dá pra usar ela em cima ou embaixo de outras saias.
 
2. Saia de renda estilo avental
A outra saia que fiz, é em estilo avental. 
Ela tem cós de fita de cetim que eu amarro nas costas com um laço (vou mostrar um look com ela no blog). Ao invés de amarrar nas costas também dá pra amarrar na lateral do quadril. Feita pra usar em cima de outras saias e, se presa na lateral, em cima de leggings.
 
 

Espero que tenham gostado dessa dica!
Usem e abusem de saias de renda!

Bjs nas caveiras de vocês!

Customizando uma blusa da Black Frost

Uns dias atrás, neste post, eu havia dito que fiz uma leve modificação na blusa 124 da Black Frost. A marca faz peças lindas num estilo "headbanger sexy". Mesmo eu não fazendo o estilo sexy, eu sou fã da marca e tenho diversas peças. Essa blusa em especial, é a minha favorita da coleção veludo tanto por ser a que mais combina com minhas saias, porque ter um toque "punk" por causa do arrastão e também porque é muito, mas muito confortável!


Só que por ter apenas o arrastão e uma amarração na parte da frente, eu sentia que isso chamava muito a atenção e meio que "limitava" a imagem que a gente passa quando a gente usa a peça. Como eu sou aloka das renda, decidi fazer uma aplicação da mesma pra "fechar" um pouco a parte frontal mas sem ficar muito careta.

Foto que mostra como ficava a blusa. Aqui e aqui também.



Se vocês também quiserem customizar, a dica que dou é usar uma renda com estampa "fechada", evite aquelas rendas de estampas muito abertas, com flores muito espaçadas.

Renda que eu usei, de desenho bem fechado.

Quanto à blusa, você:

1. Deve deixar a amarração o mais frouxa possível e tirar a medida do tecido arrastão.


2. Cortar uma tira de renda de aproximadamente 44cm comprimento x 20cm largura (referência para o tamanho P).

3. Fazer barra/acabamento nas pontas da renda que ficarão no busto e na cintura (largura).

4. Alfinetar a renda nas laterais da fenda e alinhavar. Tomem o cuidado pra alinhavar o EM CIMA da costura da Black Frost pra não fazer furos no vinil que acompanha a lateral da arrastão. 



5. A seguir, costurar na máquina delicadamente e BEM EM CIMA da costura original da BF pra não ficar aparecendo a sua costura. A renda ficará unida à faixa de vinil pelo avesso.



Resultado Final:
Você terá feito a barra nas pontas da renda (passo 3) e apenas terá costurado sua lateral rente à costura do vinil. A blusa ficará então com essa camada dupla:


A renda não fechará de vez o espaço, apenas amenizará. Por isso é importante escolher uma renda com flores mais juntinhas.



Dessa forma, se havia algum tipo de "limitação" pela frente da blusa ser muito sexy e/ou limitar o uso da peça para determinadas ocasiões. Esse problema praticamente acaba!

Uma dica que sempre dou:
Não deixem de comprar peças que vocês gostam que podem ser de alguma forma modificadas por você ou por uma costureira.
Arranjem uma costureira de confiança, pros alternativos, isso é essencial!
Encontrar roupas que curtimos é TÃO difícil que quando a gente encontra e tem a possibilidade de customizar, tem que comprar mesmo, modificar e ser feliz!

Eu só tenho essas fotos de baixa qualidade usando a blusa, mas assim que eu tirar novas fotos com ela, posto no blog com certeza! 
Basta olhar a primeira foto que postei usando ela e esta última foto, que dá pra notar como mudou.


Bejos nas caveiras de vocês!


Projeto Tr00 Colors (Blogueiras S/A)

Como eu já havia dito aqui, estou fazendo parte do grupo Blogueiras S/A e a blogagem coletiva de hoje é  um projeto chamado Tr00 Colors, segue a descrição:

    "Que tal fugir um pouco do pretinho básico, casando-o com aquela peça colorida que você raramente usa, ou melhor, usa bastante mas apenas de uma única forma? O desafio aqui é resgatar tais peças e fazendo combinações entre duas cores (as cores ficam a gosto do participante), com dois looks em uma mesma postagem! Se achar bacana pode repetir peça, não tem problema, mas que esta seja usada de forma diversificada e que no final das contas você goste do resultado final. E ai gente,desafio aceito?"

Bom, eu aceitei o desafio mesmo porque ajudei a propor, mas foi muito difícil pra mim pela limitação do meu guarda roupas. As cores escolhidas por mim foram vermelho e roxo.


Eu uso cores sim, mas em estampas muito selecionadas e sempre acompanhadas de preto. Fui procurar no armário peças de uma cor só e encontrei apenas 3 blusas roxas, 3 com branco, 2 peças com o vermelho e 3 meias calças. Eu sou mesmo viciada em preto e estampas com preto...

A questão principal do desafio é usar a peça colorida de uma forma que a gente não costuma usar.  Vou explicar no que resultou.  

                                                 Look 1: Sana is a Punk Rocker!

Roxo: meia calça, pulseira, batom.
Vermelho: saia xadrez.

Escolhi essa blusinha branca porque não queria colocar uma preta. Ia ficar muito perto do que uso normalmente. Essa blusa comprei pra usar no verão vindouro. Então foi a primeira vez que usei a peça vermelha (saia) sem estar acompanhada de uma blusa preta. \o/
Tenho usado essa saia direto! Fiz ela esse ano e já é meio que meu uniforme de 2014! A meia roxa - na nas fotos saiu azulada mas é roxa violeta - coloquei com uma arrastão preta por cima, porque sem a arrastão ficou cor demais pra mim!! O processo de habituar o olhar deve ser lento...


Foi engraçado, assim que vesti a roupa e me olhei no espelho, minha atitude mudou, eu fiquei me sentindo meio estranha no ninho, um pouco desconfortável por não usar nada significativo na cor preta... olha que loucura é o vício por uma cor!!!
 

Quando  vi as fotos no computador me achei tão "fail" que pensei em nem publicar as fotos mas não ia dar tempo de fotografar outro look!! Aí, me veio na cabeça aquela música dos Ramones "Sheena is a punk rocker, Sheena is..."  e eu pensei: "será que fazendo uma historinha meio punkzinha com as fotos o look melhora? Bom, não sei se o look melhorou, mas a história amenizou meu desconforto.


Acessórios:
Essa gargantilha transparente de spikes eu comprei em 1999 ou 2000 não lembro exatamente, mas como a moda é cíclica (e eu não jogo nada fora) esses acessórios de plástico voltaram (escrevi sobre isso aqui). E acho que um pouco do meu desconforto se reflete nas fotos, saí com jeito de menina mimada emburrada...


Uma coisa que faz uns meses que uso é a presilha de laço de olho como prendedor. Com o cabelo curto, nem sempre uso ela e um dia quis usar 2 cintos num look e eles ficavam caindo, daí prendi eles com a presilha e ficou tão legal! Pra esse look, repeti o truque, mas com 3 cintos!
Essa pulseira à esquerda - com a luva de renda - é de plástico transparente da mesma época da gargantilha. A pulseira roxa neon, foi a ligação com a meia calça.


Bom, isso foi o que consegui com a saia vermelha e a meia roxa. Se eu usaria o look outra vez? Não com a blusa branca. Ainda prefiro a saia vermelha com uma blusa preta. É mais minha zona de conforto.



Look 2: La Parisienne

Roxo: meia arrastão, blusa, presilha de cabelo e pulseira.
Vermelho: corsage, corselet e meia calça e batom.

O desafio Tr00 Colors propôs usarmos uma peça que raramente vestimos e/ou mostrar 2 looks diversificados. Novamente quebrei a cabeça porque eu precisava propor um look diferente do já postado acima. SÓ QUE, aqui reapareceu a limitação do meu guarda roupas, o look é até diferentezinho do "look Punk" mas não é muito diferente do meu day-by-day look... Mas de qualquer forma acho que tá valendo...

Como o primeiro look ganhou todo um nome e história, pra esse não ficar triste eu bolei uma histórinha pra ele também, mas bem menos criativa porque né? Não dá pra ser criativo o tempo todo kkkk!

Me lembrei do conceito das La Parisiennes do fim do século XIX que eram mulheres burguesas, vendedoras, costureiras ou demi-mondaines. E aí eu pensei... bem... eu costuro peças e será legal aproveitar o conceito de demi-mondaine (pessoa ligada às futilidades da vida). Me senti confortável com esse look, até saíram várias caras e bocas.



Entom gentchy, o look consiste de regata roxa com blusa de renda por cima (porque só a regata roxa não ia rolar). Esse corselet tubo, foi o segundo que fiz na minha vida - nas minhas tentativas de fazer corselet - se não me engano fiz ele em 2007, mas ele era overbust. Transformei ele em under uns 3 anos atrás. Uso muito raramente porque ele não é uma de minhas peças favoritas. Eu ainda estava aprendendo modelagem de corselet, as barbatanas são de plástico (barbatana costurável) então ele não tem função de afinar cintura, tem função apenas de estilo.
A sainha eu  fiz faz tempo, tem babados de tule intercalados com tecido e renda e enfeitado com um broche de laço que veio numa blusa de loja de departamento da vida.
A meia calça vermelha foi usada sob uma arrastão roxa (tem uma foto mais abaixo), mas nas fotos a junção das duas meias saiu rosa =/ 
É foda não conseguir passar na foto as cores reais das roupas. 




Acessórios: luva e spikes e sempre + corsage da Devas. No cabelo, dois lacinhos em xadrez roxo que comprei em loja de biju na sessão infantil, não dá pra ver mas eu customizei aplicando caveirinhas de metal no meio do laço.
Esse beehive no cabelo surgiu quando vi que o dia da publicação do post seria no dia do aniversario da Amy Winehouse. Minha humilde homenagem à ela...




Aqui  nestas fotos percebemos como a meia calça ficou parecendo rosa ao invés de vermelha + roxo. E como a blusa roxa + blusa de renda preta por cima aparenta ser azulada.
Se eu usaria de novo esse look? Sim!  Nunca tinha feito essa combinação antes! Talvez eu me sinta confortável com o look por ter uma presença maior do preto.


Foto que mostra a meia vermelha e a arrastão roxa por cima.






Blogs Participantes do Projeto Tr00 Colors até o presente momento desta publicação
(atualizarei a lista mais tarde, depois que todos as participantes tiverem postado):
Eccentric Beauty
This is My World

"Mulher bonita é a que luta..."

Estes dias como praticamente sempre acontece, eu andava na rua e um cara assobiou pra mim. Não liguei, assobiou de novo, mais alto...
O que posso dizer... eu venho de uma família de mulheres fortes e a maioria delas com um grande poder de decisão dentro de seus lares. Minha mãe é uma mulher de grande força e personalidade. Minha irmã é um pilar. Minhas tias, bravas lutadoras; minhas avós, heroínas à frente de seus tempos. As referências femininas são tão presentes na minha criação que eu brinco dizendo que muito novinha já tinha ideias feministas mas não sabia que aquilo que eu pensava, desejava, tinha este nome. Porque essa palavra ainda é cheia de tabus.

 

Dez, doze anos atrás, não se falava de feminismo, só em pequenos círculos, quando eu falava coisas ou me recusava a seguir certos tipos de pensamento, me achavam "maluquinha" e "rebelde" ou "ela pensa diferente". Mas eu estava apenas questionando meus direitos e deveres como mulher. 

Minha mãe nunca me disse pra eu sentar apenas de pernas fechadas, 
ela me dizia pra eu sentar como eu quisesse, que era meu direito de escolha.

Eu cresci conhecendo as Riot Grrrls, buscando identificação em bandas de mulheres e em roqueiras porque chegou um ponto em que os caras de banda não representavam. Confesso que já deixei de curtir banda de rock ou de metal porque o machismo de algumas me incomoda. Homens que o pessoal idolatra, mas eu ignoro.

Concordo com eles!
 

Quando criança/novinha eu adorava hard rock, mas quando eu amadureci, captei a misoginia em várias letras, hoje eu escuto por curtição, não levo à sério, não idolatro, não dou grana pra estes caras. O mesmo com o Metal especialmente algumas linhas em que a gente sabe que a mulher tá lá pra pagar de bonita sem ter o mínimo poder de decisão dentro das bandas. Hoje em dia, cada vez menos bandas eu escuto, sempre procuro entender como a mulher é tratada nas letras e pelos caras. Não à toa, eu adoro bandas de garotas de atitude e que quebram padrões. Me sinto mais representada por elas porque eu seria uma delas na cena rock.

Li ontem revoltosamente uma matéria no blog da Lola que mostra bem como a própria mídia ainda trata as mulheres. A matéria fala que duas candidatas, uma ao cargo de deputada federal e outra ao de deputada estadual, se rebelaram contra uma matéria da UOL que listava as "20 candidatas mais bonitas" que faziam dar gosto assistir ao horário eleitoral.
A Lenina e a Isa  (os nomes delas) são jovens querendo exercer sua cidadania livremente, mas foram resumidas à rostinhos bonitos.

(para abrir os links em nova janela, basta apertar o shift e clicar no link)
A Lenina disse: "... estive na infeliz lista da Uol das candidatas mais bonitas. Sabemos da violência que a mídia pratica com nós mulheres diariamente, e essa lista é só mais uma prova. Várias pessoas me ligaram para dar os parabéns por estar na lista. Pessoas que até então não me deram nenhum apoio pela candidatura... Ser mulher continua sendo carregar esse peso de ser bela, padronizada, arrumada e delicada, e não a responsabilidade de ser competente. Os lugares que ocupamos se preocupam mais em dizer que os embelezamos do que em reconhecer nossa importância. Difícil, não?" E UOL, aprenda: mulher bonita é mulher que luta! Pode ter certeza que somos muito mais que vinte! Sempre! Porque a vida deseja beleza. E a beleza da vida não está nas aparências, está na transformação daquilo que é injusto, daquilo que causa dor e sofrimento! A beleza vem da certeza de uma vida digna, de uma vida que respira liberdade!"


E a Isa disse: "Historicamente, em todas as sociedades com existência de Estado, as mulheres foram preteridas da participação política ou essa participação se deu de forma bem limitada. A gestão dos territórios, a elaboração das leis e ocupação dos espaços públicos são atividades vistas como tarefa dos homens, enquanto as mulheres devem cuidar da casa e das pessoas. As mulheres naturalmente circulam pelas cidades, pelas vias públicas, mas são frequentemente constrangidas com cantadas, assédios e outras formas de violência - como estupros. Nos trens, ônibus e metrô, tal violência é ainda mais comum, pelo único motivo daquela pessoa ser uma mulher, ter um corpo feminino. Os homens são educados para enxergarem as mulheres como subalternas, sem direito ao próprio corpo, disponíveis e submissas aos seus desejos." 



E o machismo se estende na cena alternativa também! Desde o começo deste blog eu falo um pouco disso. Não sejam inocentes de pensar que a cena subcultural é livre e "pura". Não é não!
Justamente por causa dessa minha veia "rebelde", nunca consegui me identificar 100% com uma subcultura. Porque chegava num ponto em que eu não aguentava mais disfarçar que o machismo me incomodava.


Já viram aqueles concursos de as "mais belas garotas do metal" ou algo do tipo? Olha, não vejo nenhum problema uma garota que é super resolvida com sua sensualidade adorar fazer fotos sensuais, se a escolha foi dela e somente dela! Super apóio!! A cantora Lita Ford é uma das que se encaixam neste perfil.
Mas a partir do momento que ela faz aquilo porque ela acha que vai ser mais aceita na cena, porque acha que ela precisa ser daquele jeito pra ser popular ou porque ela foi persuadida por um cara a ter/vender aquela imagem... tudo muda de figura. Já notaram que a maioria destes esses eventos que sensualizam ou sexualizam ou objetificam a mulher, são organizados por homens? Entendem como um pensamento é perpetuado?

Pode ficar meio feio e ruim eu falar disso aqui, mas realmente aconteceu: existe um grande evento nacional que fotografa lindas garotas do metal em poses sensuais (aliás, muitos ensaios de modelos alternativas focam nesta sexualização, mas enfim, outro assunto...), o blog Moda de Subculturas até chegou a divulgar a ideia anos atrás. Num dado momento, incomodada com o andamento, perguntei (alfinetei) pro organizador se ele faria uma versão masculina também, afinal os homens não eram tão objetificados quanto as mulheres e nós mulheres adoraríamos ver homens num calendário em poses sensuais! Ele me deu uma resposta que eu interpretei como tendo tido as seguintes reações: surpresa pela minha abordagem ousada - risada sem graça e posteriormente rindo da minha cara/audácia - ficou na defensiva. Depois disso o cara nunca mais falou comigo. E esse cara é super conhecido na cena brasileira. Se ele vai falar comigo de novo algum dia, não sei!! Só sei que eu falo as coisas mesmo! Eu tenho essa audácia! Porque devo me calar se percebo algo errado? O machismo me incomoda e falar dele abertamente na cena incomoda muito! E pior é que garotas não percebem isso, alguém precisa avisá-las que as estão objetificando pra ter lucro! Eu na idade delas já sacava essas coisas! E eu gosto de provocar o pensamento das pessoas, ver se elas estão dispostas a quebrar um pensamento retrógrado que é passado pra elas e que elas apenas alimentam aquilo. E eu estou aqui, ainda esperando o calendário que objetifica os corpos dos garotos sensuais do metal... porque né? 

Diferença de linguagem corporal. Joan Jett (feminista de longa data) e Cristina Scabbia.



 A típica imagem da "metalera" perfeita no imaginário masculino da cena Metal... 
boa no álcool, sensual e sexualmente sempre disposta. 
Interessadas em subverter essa imagem??


Outra coisa é que eu acompanho com um pé atrás essa onda de meninas alternativas cujo "ser linda" é o foco da vida delas. É um perigo!! São ideias do mainstream se estendendo à pessoinhas que estão formado suas personalidades. Tenho consciência que a beleza não pode ser parâmetro pra minha vida. Te encaixar num padrão de beleza é uma das formas de controle da sociedade sobre nossos corpos!

Voltando ao assobio... ele gerou essa reflexão toda, e eu precisei colocar ela pra fora aqui no blog. Fico impressionada em como os homens mexem comigo, não sou bonita, não sou o padrão de beleza brasileira, não faço o tipo gostosona e ainda por cima, uso roupas por vezes mais agressivas, o que parece de forma nenhuma intimidá-los. Ou seja, o gosto pessoal inexiste, importa é ser mulher pra ter seu espaço invadido. Acho que posso contar nos dedos os dias que saio na rua e não tenho meu direito de ficar em paz invadido. Acho que todas vocês passam por isso. Não poder andar livremente na rua não sendo vista como mero objeto sexual. Sim, porque quando um cara mexe com você na rua, ele te objetificou. Tirou seu status de "ser humano" e te colocou como algo que possa ser julgado como merecedor ou não da atenção (e do sexo) dele.


Com o cara, fiz algo raro, respondi pra ele, isso não é algo que eu faça com frequência, tanto porque não dá tempo (eles são covardes, mexem com você de dentro dos carros e dão no pé) ou porque não tem como (a situação em si), mas é que aconteceu algo curioso. Ele assobiou eu não liguei. Ele assobiou de novo, eu gritei "machista!". E aí sabe o que ele gritou pra mim: "feia!" 
Isso mesmo! O cara diz que você é linda, mas bastou "desobedecer" e contrariá-lo que você vira "feia" e descartável.
E eu virei e respondi: "mudou de ideia rápido hein? Tá indeciso? Eu não faço a mínima questão de  me encaixar no seu padrão de beleza. Não sou seu objeto pra você me considerar bonita ou feia, aceitar ou descartar." Ia dizer mais coisa, mas achei melhor ir, a rua tava vazia. O cara não esperava minha resposta e ficou murmurando umas coisas baixinho com o colega, eu virei e segui.
Mais um reflexo da sociedade machista se revela aí: a limitação da minha liberdade! Como eu respondi pro cara, sei lá se quando eu passar lá de novo ele vai mexer comigo again. Então, mais uma liberdade minha foi tirada: quando eu for andar sozinha na rua da casa dos meus pais, eu não vou poder ir por aquele lado, terei de ir pelo outro. Pra pra não ser importunada novamente. Não deveria ser assim. 

Ainda bem que existem mulheres lutando para que a gente tenha direito de andar na rua sossegada, como todo processo educacional, leva tempo. Leva tempo mudar uma mentalidade de séculos. Mas tem que começar, nem que seja pra deixarmos isso de herança pras futuras gerações.