Um exercício de auto estima

Estes dias minha prima de 14 anos veio me visitar.
Ela é aquele tipo de garota incomum pra idade: alta, tem mais amigos meninos, não segue nem liga pra moda e tendências (e tem estilo!!).

Minha tia, a mãe dela, foi meio hippie quando nova e criou a menina de forma meio livre, aberta e sem muitos "nãos". Como resultado, minha prima é bem aberta, solta nos atos e nas palavras e nem um pouco retraída.

E ela tem algo que me fascina: uma tremenda auto estima!
Ela simplesmente tá lá de pijamão, cara remelenta e se depara com um espelho na frente dela, vira o cabelo pro lado e diz: "nossa tô linda!"
Ou posa pra  uma foto espontânea e diz: "olha como saí bem!" - naquele tipo de foto em que uma garota "normal" acharia que não saiu perfeita o suficiente.
Estes dias saímos e ela comprou um óculos escuros e, no dia seguinte, ao vesti-lo, disse: "olha como fico linda com esse óculos!!"
Tudo assim, natural, sem pretensão, metidez ou desprezo, simplesmente a frases de alguém que se adora como é! Que se admira!

Eu, nos meus esforços árduos para tirar uma selfie, quando tiro, ela olha e diz: "você tá linda!" e eu digo "tou nada, olha o tamanho que saiu meu nariz!" (meu nariz é super grande) e ela responde: "nem dá pra notar!". Outra tentativa. Penso: "nossa, que horror!" e ela "Você-tá-lin-da-nesta!"
Outra tentativa de selfie, num outro dia... fico em dúvida com meus olhos cansados e ela diz: "saiu linda, prima!" 

E aí eu percebi que preciso me achar mais linda mais vezes. 
Que sempre estou me achando nariguda, queixo gordo, boca minúscula, zóiuda e cabeçuda. Mas parece que essa não é a forma que ela me enxerga. Quem sabe eu aprenda com ela a cobrar menos sobre eu rosto imperfeito e simplesmente acordar escabelada, ramelenta, olhar-me do espelho e dizer: "hoje acordei linda!"