Projetos Geração X Rock Blogs (2 em 1): Geração Apatica e Decoração do Quarto

Decidi fazer juntos os dois primeiros Projetos do Geração X Rock blogs porque achei que ficaram assuntos interligados. Os temas foram sugeridos por mim. Esse é um grupo que reúne blogs de alternativos "mais velhos" ou seja, pessoas que são consideradas Geração X (nascidas do início da década de 1960 até mais ou menos o anos de 1984) mas também aceita gente mais nova.

O primeiro tema se trata de um post-reflexão, segue o assunto:
"A Geração X  está no meio de duas grandes gerações super ativas e que sacodem o mundo: os Baby Boomers e os Millennials. 
A Gen X é também chamada de Geração Apática, considerados jovens sem identidade e com um futuro incerto, indefinido e hostil. Criados na frente da TV, pessimistas, cínicos, indiferentes, desesperançados... enfim, somos considerados muito zuados. Depressão, ansiedade, desordens alimentares são comuns nas pessoas da nossa geração.
Você deve lembrar da letra do Renato Russo: "Poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?". Acho que a frase representa bem a "desmotivação" típica da geração. Nossa dificuldade de levantar a bunda pra fazer alguma mudança forte... em linguagem vulgar: apertamos o phoda-se pra tudo e viramos as costas.
Então esse post reflexão é pra se lembrar de como você era quando adolescente e se era mesmo uma pessoa apática (ou não!) e depois trazer isso pra atualidade: você ainda é apático? Mudou? Nunca foi apático? Seus amigos/colegas da mesma faixa etária tem apatia?"

Fui muito auto-crítica pra escrever esse projeto... e eu cheguei à conclusão que sim! Eu poderia ter sido considerada uma teenager apática!!
Apatia é indiferença, falta de motivação ou de entusiasmo. E vou tentar explicar onde cada uma destas características se encaixariam em mim naquela época.

A partir da sexta série eu passei a sofrer bullying na escola, fato que durou quatro anos. Isso acontecia porque eu - e mais um grupo de 6 ou 7 estudantes, não éramos o padrãozinho de beleza e comportamento. Então, obviamente, tudo que fazíamos na classe era criticado, o que nos dificultava quebrar algumas barreiras, como por exemplo, sermos levados à sério e sermos convidados a fazer parte de grupos de atividade. Nós éramos ignorados. Com o bullying, minha auto estima era MUITO baixa na escola, ou seja, eu me tornava apática (sem entusiasmo) e ficava "no meu canto". É nesse conceito que com certeza me tornei um pouco misantropa.


Já a falta de motivação, chego a conclusão que vinha da baixa auto estima, da insegurança. Eu não entendia porque eu era considerada "diferente" se eu me sentia igual! Eu era inquieta, um pouco angustiada, tudo era tão sem graça ao meu redor, tão irritante e cheio de regras chatas, com essa visão de mundo, eu apertava o phoda-se (aqui entra a indiferença) e me afundava no meu quarto lendo revistas ou assistia TV (eu adorava Anos Incríveis, Confissões de Adolescente e o desenho Aventuras do Tin Tin).


Eu digo que o rock me salvou, pois quando eu naturalmente caminhei pra essa subcultura, adquiri mais auto confiança, entendi que existiam mesmo pessoas "diferentes" e canalizei minha rebeldia. Assim meu lado não apático aflorou, que era o de fazer teatro, música, estudar artes e dançar jazz. Nesta parte artística eu fui muito mais sociável, é impressionante o poder que a arte teve na minha vida! Ela realmente mudou minha perspectiva de vida e comportamento.

Eu me importava com o mundo, com política, com a vida. Eu lia muito jornal, revistas, era super atualizada, mas na real, eu não fiz nada muito significativo pra mudar o mundo. Confesso que na época, neste sentido, faltou-me mais atitude de fato! Interior parecia ser tudo mais difícil, as pessoas são provincianas e mais resistentes a mudarem de ideia!

"Quem roubou nossa coragem?" (Renato Russo, Quando o sol...)
Acho que os adultos que eu convivia. 
Sempre colocavam um "mas" e um imenso "não" no meio do caminho. E claro, o maldito machismo. Se de alguma forma eu tivesse percebido isso (o machismo) naquela época, eu teria tomado muitas iniciativas e enfrentado mais as situações, porque eu era uma garota atrevida mas me faltava um ponto de apoio, eu não era empoderada. Eles me diziam "você é menina não pode fazer isso/se comportar assim/ ir naquele lugar sozinha, fica aqui que é mais seguro, não faz isso não...". 
E a escola também teve culpa, porque me dizia que eu precisava ficar sentadinha ali e estudar pro vestibular e ser alguém na vida. Que não prestava eu ficar pensando em certas coisas (inclusive as que não caiam no vestibular) porque aquilo não ia mudar mesmo! Era daquele jeito e pronto!

"Eu já sei o que eu  tenho que saber, e agora, TANTO FAZ"
(Renato/Capital Inicial, Fátima)
Foi só lá pelos 17 anos que me tornei uma pessoa se não completamente, MUITO diferente do que eu havia sido até então. E depois, indo morar em São Paulo, meus horizontes se expandiram e muito da apatia ficou pra trás, enterrada lá nos primórdios da adolescência!  Mas não posso dizer que faço grandes coisas, não. Eu ainda dou muito "phoda-se" pra society - olha a herança da indiferença aí!
Hoje eu percebo que realmente, uma parte da Geração X pode mesmo ter tido essa apatia em relação ao mundo e à vida, tanto que os colegas da época que mantenho contato, metade ainda tem traços de indiferença. De certa forma, saber que minha adolescência foi realmente "trevas", me faz me sentir bem menos "culpada" por não ter mudado o mundo.


O segundo tema é baseado em outra característica da Gen X, a clássica frase “fulano não sai do quarto”:
"Os Baby Boomers adoravam protestos e se agrupar nas ruas, a geração Y vive pra lá e pra cá socialmente visando tirar selfies pra mostrar que andam fazendo e nossa geração preferia o vídeo game, a TV e o próprio mundinho.
Nesse Projeto, a gente vai dizer o que tinha no nosso quarto na nossa época de teen. O que a gente colecionava, como decorava, o que fazia dentro do quarto (não tinha internet né?)..."

Pra esse projeto: Não existiu quarto adolescente mais sem graça que o meu, juro! Óbvio que entre os 12 e os 19 anos a decoração mudou, então vou fazer um apanhado geral sem separar por datas:
 
O que tinha:
Meu quarto era minimalista e sem graça: o armário; cama de solteiro; 1 criado mudo, uma estante grande que era onde eu colocava tudo de importante na minha vida, desde material da escola, até minha coleção de livros, revistas, rádio, cds....; um sofá de dois lugares, um baú de dois lugares e uma cômoda. Posteriormente veio a mesa pro computador. A parede teve várias cores, mas sempre neutras.
O que colecionava: latinhas temáticas de refrigerante (especialmente as da Coca Cola), revista Caminhos da Terra (aprendi MUITA coisa sobre o mundo nelas!), selos (amoooo), bruxas. Eu tinha bruxas de todo o tipo!
Como decorava: Decorava com minhas bruxas e tive fase de colocar pôsteres de filmes de terror ou mistério na parede. Mas como eu ainda tinha um pouco de romantismo/kawaiizice, eu deixava bichinhos de pelúcia numa estante (tipo aqueles da Parmalat!). Eu não colocava fotos de bandas porque achava que era "fanzice" demais! Sérião, nunca decorei meu quarto com bandas (sou anormal mesmo né???).
O que eu fazia: tudo e nada kkkk! Quando eu não estava na sala vendo TV (eu nunca quis ter tv no quarto e ainda hoje não quero), eu estava no quarto. Além dos estudos, eu fazia minha agenda, escrevia cartas pros meus amigos distantes e que moravam em outros países e lia minhas revistas e livros. E claro, era o local pra conversar com as amigas aqueles assuntos clássicos de adolescente.

Bom, espero que não tenha entediado vocês com minhas histórias! :D 
Vou finalizar aqui e estes são os blogs que já publicaram o Projeto (o prazo finaliza no fim da semana, e atualizarei os links - então voltem aqui pra conferir!).
Corp. Gótica LTDA
Mädchen Rosenrot


9 comentários:

  1. Nossa, eu era doida pra ter um quarto pra decorar, coisa que fui ter bem depois. Eu sempre gostei bastante de decoração e afins. E seria mais ou menos na linha que você disse: minimalista mesmo! Eu adorei as ideias do projeto, pena que não pude participar porque não tinha muito o que dizer nos dois, já que eu vim um pouco depois. Hauhauha! Eu adorei as suas respostas, Saninha! <3

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    1. Um pouco?? Você é no mínimo uns 10 (DEZ) anos mais nova Jaque, outra geração! :DD
      Eu nem ligava pra decoração, ainda hoje tento me livrar desse minimalismo que herdei dos 90s, tenho imensa dificuldade pra pendurar algo na parede até hoje, por exemplo, o que é contraditório porque adoro admirar de ambientes cheios de objetos... Espero que um dia eu consiga quebrar esse padrão "nada" pra um padrão "alguma decoração" hehe :D

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  2. Nossa... me identifiquei bastante com a primeira parte do seu post.. acho que metade de mim é geração X, mesmo tendo nascido bem depois. E acho que ultimamente tenho andado mais apática que o normal. Simplesmente liguei um phoda-se geral pra sociedade e pra vontade de viver ou fazer qualquer coisa legal... rs

    Sobre a segunda parte do post, eu sempre quis ter um quarto pra poder decorar e chamar de meu... haha
    Mas desde sempre divido o meu com minha irmã, que até tem o gosto meio parecido com o meu, mas minha mãe nunca deixava a gente fazer nada de mais no quarto. Ela custou deixar a gente pregar os posters de banda na parede. Quando ela finalmente deixou, enchi a parede com todos que eu tinha. Ficou um tempo, depois enfezei e tirei tudo pq eles ficavam caindo o tempo todo... rs
    E sobre as outras coisas de decoração, como minha mãe nunca deixava fazer nada de diferente mesmo, acabei perdendo a vontade de fazer qualquer decoração, mesmo que com objetos. Hoje é que sou louca pra ter meu cantinho pra decorar do meu jeito de novo.. rs

    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    1. Imagino Mone!! Mas sabe, falam tanto mal da Geração X por dar phoda-se à tudo mas acho que é muito pior termos pessoas que se importam demais com a opinião alheia...

      Sérião: eu tenho vontade de pintar o quarto de preto e colocar umas coisas meio magentas junto com objetos/móveis brancos, e pendurar um monte de tralhas na parede, mas eu sou tão resistente! É uma coisa que eu ainda preciso trabalhar mesmo pq vai chegar uma hora que vou ter que mexer na decoração pq não adianta você morar numa casa caretinha se você não é caretinha né? kkkk
      Mas imagino, quando tem nossa mãe no meio tudo fica mais limitado, acho que com objetos é uma boa forma de começar :D

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    2. Pois é.. também acho muito pior ficar preocupado de mais com a opinião alheia, porque acaba que a gente não vive, fica só se perguntando o que fulano vai falar e tal.. muito chato..

      É.. isso é verdade.. vai chegar uma hora que você mesma vai olhar e falar: não dá mais, esse quarto não é meu... rs
      A minha vontade é fazer um quarto com inspiração em Tim Burton misturado com algo meio gótico, meio bruxa, meio sereia. Essas coisas que eu gosto.. rs
      Mas não sei ainda se pintaria tudo de preto, ou uma parede só, ou colocaria um papel de parede meio vitoriano.. ainda tenho muitas dúvidas.. mas até ter meu quarto e minha casa tenho tempo pra pensar e decidir tudo.. rs

      bjin

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    3. Outra coisa que me trava é que não sou muito boa em atividades manuais, tipo... pintura, artesanato, aí já viu!!
      Uma parede preta e o resto com papel de parede ia ficar mara! E aí decorado com coisas e com cores que lembrem o mar ... ai vai ficar muito exótico! ♥ ♥

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    4. Pois é.. acho que ia ficar bem legal e diferente mesmo!
      Vamos ver no que vai dar minhas ideias quando tiver o quarto.. rs
      bjin

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  3. Sana, demorei mas vim!
    Eu li, reli, reli o que você escreveu, e fico pensando como uma mulher com tanta atitude como vc concluiu que foi apática. Vc era jovem, vítima de bullying...e reagiu, ao meu ver, como podia. Então não vejo isso como apatia - apatia seria você se conformar e não ter empatia nenhuma por ninguém.
    Seu quarto me chamou a atenção por não ter TV nem posteres de banda. Era uma regra na nossa época né? E eu tb colecionava bruxas, duendes, livros...Mas sempre quis ter um sofá no quarto, coisa que o espaço minúsculo nunca deixou.
    Curti demais o post. Só não terminei o meu ainda por causa de coisas que andaram acontecendo que me fizeram repensar o que escrevi. Mas não vou deixar de lado, é questão de tempo.
    Beijos!!!!

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    1. Oi Vívien! Tb tou te devendo vista, aguarde ;D
      hmmm muito obrigada por pensar assim! (que eu não era apática). Mas eu ACHO que por um período eu fui, ao menos entre os 12 e 14, talvez... pq eu realmente tinha uma auto estima muito baixa, quase nula, mas pensando aqui, empatia eu tinha, eu sempre tive empatia e acho que isso tb me fazia sofrer pq as pessoas não tinham empatia por mim - especialmente na questão do bulliyng que na época era algo super ignorado por professores e diretores.
      Quarto: pois é menina!! Olha só a diferença pra era super tecnológica de hoje!! Eu ainda não consigo ter tv no quarto... O.o

      Mas eu adorei o teu post e aguardo pra ver o desenrolar dos pensamentos, uma pena só a gente ter participado do Projeto, queria saber sobre como as outras meninas, geração x como nós, se enxergam naquela época.
      Bjs!

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