O Grunge e a "Anti-Fama"

Hoje em dia de alguma forma, muitos querem ser famosos, especialmente através de seguidores e muitos likes no Instagram e Youtube. Números viraram tudo. Números viraram negociatas: "quando chegarmos aos 5 mil seguidores vamos fazer sorteio", "quando eu chegar aos 30 mil seguidores farei um vídeo x", soa quase como uma ameaça, mas na verdade é um jogo, uma estratégia de fama, um truque manipulativo, quase um feitiço.
É estranho o que nos tornamos.

Mas houve uma cena alternativa diferente do hoje. Uma cena que era "anti-fama" e pró arte, pró musica: o grunge. Eu cresci ouvindo grunge. E por isso estou imensamente triste com a morte de Chris Cornell e não poderia deixar de escrever algumas linhas sobre a passagem de uma das vozes mais lindas do rock n roll que embalou tantas vezes minha vida e também me fez encontrar abrigo em letras que profundamente me identifiquei.

Embora o caso tenha sido confirmado como suicídio, a esposa do cantor pede investigação, já que  Cornell estava se tratando do vício de um remédio de ansiedade que entre outras coisas, provocava alucinações e pensamentos suicidas. É por isso que eu digo, dyvas, a sociedade cria doenças, a indústria cria remédios que viciam para tratar estas doenças, assim você passa a vida toda pagando eles e eles enriquecem cada vez mais... Eu gostaria mesmo de pensar que foi um suicídio acidental, pois o cantor estava pra lançar álbum ainda este ano com o Soundgarden... vamos aguardar.
 

Conheci Soundgarden através de uma banda que sou muito fã: Pearl Jam. Sim, foi com Hunger Strike, numa fita cassete de minha irmã lá na década de 1990, e não imagino neste momento a tristeza destes músicos que adoro tanto. Este ano, Pearl Jam entrou para o Rock n Roll Hall of Fame, e Chris Cornell, ao ser perguntado há um mês atrás se gostaria de entrar para o Hall, já que a banda é cogitada desde 2013, respondeu: "Não faz diferença pra mim."

Simplesmente não consigo imaginar, hoje, uma cena alternativa tão nem aí pra fama como os grunges eram, hoje parte de ser alternativo parece que implica na necessidade de chamar a atenção, angariar fama e seguidores e claro, mimos (anuncie que é seu aniversário e quer presentes na caixa postal XXXX!).
Por que nos tornamos tão carentes de atenção? E pensar que Kurt Cobain não se identificava com a sociedade espetáculo, ridicularizava tudo isso. Cobain está rindo de nós. Ou melhor, talvez esteja escrevendo obras primas nos mostrando o quanto nos tornamos egocêntricos. 
Imaginem o encontro de Cobain, Lane Staley, Scott Weiland e Chris Cornell... que "anti-festa" eles não estão fazendo!

Termino com algumas imagens que amo de Ed Vedder e Chris Cornell. 


Essa é uma das que mais adoro: amizade...


"Eu estava perdido nas páginas de um livro cheio de morte lendo como vamos morrer sozinhos" - trecho da música "Like a Stone", do Audioslave, 
acredito que todos conheçam.
 

6 comentários:

  1. Eu adoro Soundgarden e Audioslave (e Pearl Jam e Nirvana e Alice in Chains... HHAUAHAUAHUAH). E realmente, era bem isso que tu falou, tanto que até hoje o Vedder é bem low profile, e querendo ou não o Kurt se matou e um dos motivos era não saber lidar com a fama. Eu também cresci ouvindo grunge e acho que grunge é um excelente formador de caráter! HHAHAHAUAHAU
    Beijão, Sana!

    www.vultuspersefone.blogspot.com

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    1. Sim, o pessoal do grunge era crítico, questionador né? Bem diferente do tom das letras dos outros estilos de música que rolavam na época! Longa vida ao grunge!! :D

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  2. oi, olá! :)
    faço faculdade de comunicação e tem uma matéria (aliás, uma não, várias) que a gente estuda o comportamento e efeitos da internet e suas tecnologias com a nossa vida. as vezes eu acho que o mundo está perdido se enfiando num buraco imenso cada dia mais. rede social virou prioridade na vida de muita gente. como você bem disse, é uma corrida imensa para dizer "não me importo" porém dá um like, me segue, olha minha foto, me dá um feedback positivo etc, etc, etc.
    cada dia que passo eu tento me livrar um pouco desse vício, mas por trabalhar nessa área não posso me distanciar muito.
    o sistema, a indústria toma conta de tudo e impõe tanta coisa, faz tanta coisa virar "modinha" que até preocupa... e é muito difícil se livrar disso tudo uma vez que estamos afundados nessa tecnologia e consumindo cada vez mais seus produtos...
    as vezes acho que eu deveria ter nascido em outra época, rs...

    beijos <3
    blog vestidinho jeans

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    1. Que interessante Renata! Já estou super curiosa sobre a matéria, conta mais! haha :D
      Sim, a gente que trabalha com comunicação é dificílimo se manter off da internet, mas a gente tenta...
      bom, eu vivi a era pré popularização da internet, era radicalmente diferente de hoje mesmo.
      Adorei seu comentário ♥
      Bjs

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  3. Realmente, parece que a cada tempo que passamos, mais superficial a socidade se torna, interessada em números e não em qualidade, muitas vezes colocando vidas em risco. Foi uma puta perda o Chris, assim como Kurt e posso imaginar a festa deles. Infelizmente é o mundo em que vivemos.

    Beijo,
    Madame Poison

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    1. Tudo tem mudado tão rapidamente né? Acho que a superficialidade virou o "normal" hoje em dia, raro é achar quem se fixa em algo.
      Sim, estou triste até agora com a perda do Chris, ele era muito querido no meio musical :(
      Bjs e obrigada por passar aqui! ♥

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