Um desabafo sobre incompreensão na blogosfera

Olá dyvas, hoje venho com um desabafo suave sobre incompreensão que espero que não soe grosseiro pra ninguém, afinal desabafos são escritas livres, corajosas e emocionalmente necessárias.

Às vezes me perguntam sobre porque me visto tão gótica não sendo gótica ou se eu me auto proclamar "roqueira" é algo que me limita.

Sabe quando o pessoal diz "não me encaixo em subculturas, não tenho rótulos, uso o que eu quiser"? 
Isso não é opinião exclusiva da geração jovem atual, na verdade, gerações anteriores inventaram isso. 
E eu sou uma delas. 
A chamada geração X foi a que começou a quebrar regras, rótulos e conceitos subculturais, por isso eu cresci muito diversa esteticamente e nunca tive regras de vestir.

pinterest

Existe uma coisa que não posso negar e assumo com honestidade: sou roqueira. Mas isso nunca me impediu de escutar outros estilos musicais embora o rock seja a sonoridade dominante na minha vida. E "ser roqueira" é um espectro tão, mas tão amplo que vocês nem imaginam (punk rock/gothic rock/heavy metal/rockabilly/etc etc). O rock pra mim é antes de tudo liberdade, e bem, se é liberdade, posso vestir o que quiser, fazer o que quiser e nos meus termos, correto? 
Sim! 
É o que eu acredito. Muitos podem discordar de mim e eu com certeza respeitarei.

O uniforme da roqueira é jeans + blusa preta/camiseta de banda + tênis ou coturnos + cabelos pretos, vermelhos ou loiros. 
E eu não uso jeans, não uso camiseta de banda (tenho, mas só uso em shows e olhe lá!), tênis e coturno uso pouco e sempre preferi ser ruiva laranja. Então imaginem essa pessouinha adolescente / jovem adulta frequentando lugares de rock com saia, topzinho, salto e cabelo ruivo alaranjado nos anos 90/00?  
Me olhavam estranho? SIM! 
Me julgavam? SIM! 
Me perguntavam se eu era clubber, metalera ou gótica porque estavam confusos? SIM!
Queriam ver se eu sabia mesmo de rock? SIM! 
E eu ADORAVA quando me desafiavam!! 
Adorava quando vinham me testar porque eu dava baile e calava boca dos chato tudo. Então eu tinha esse atrevimento ~girl power~ a meu modo, de quebradora de regras da moda rock desde menininha (#ironia). E com o passar dos anos, com a adultice, isso piorou. Porque misturei mais e mais elementos estéticos de diversas subculturas em cada fase estética  em que vivi. 

 

Tem umas pessoas que confundem MUITO quem eu sou como pessoa com o que eu escrevo no blog Moda de Subculturas. O MdS é um blog informativo com viés histórico e sociológico, ou seja, o que escrevo lá não é minha opinião própria, são estudos e análises sobre determinados temas. 
Tem sido pouco frequente (de anos pra cá) eu dar opinião própria lá e quando isso ocorre é mais levantando questionamentos (normalmente acompanhada de "eu acho", "eu penso que", "eu acredito que"). Aqui no Diva é o oposto: é praticamente muita coisa sobre mim, e algum nível de questionamentos que não tenho opinião formada. 

Se lá eu escrevo um post "como os punks se vestiam em 1976". Não estou ditando regras, eu estou RELATANDO um fato histórico da moda, estou falando sobre uma época. Fatos históricos não são opinião pessoal.

Subculturas, tribos urbanas e etc são áreas de estudo de sociólogos e antropólogos e não dos profissionais de Moda. Por eu ser formada em Moda e escrevo sobre a relação moda e subculturas, não significa que eu ~devo~ seguir uma subcultura e não significa que quem é de Moda estuda isso e decide sobre o tema. 
Eu estudo porque gosto e por vontade própria, porque um dia deu um nó na minha cabeça sobre porque essas pessoas que questionavam eu ser roqueira queriam que eu me vestisse  "igual" a eles, e aí fui atrás de descobrir e percebi que não era tão reducionista assim, que existiam muito mais coisas sobre a superfície! E se mais pessoas de moda também resolveram estudar subculturas, também foi por vontade própria e não por ser uma área de estudo da profissão. Se pessoas de Moda estudam subculturas elas são exceção e não a regra!


Lá nos anos 1980 os jovens já estavam quebrando regras e usando o que queriam sem seguir rótulos ou uma estética 100% de uma subcultura. Toda geração jovem passa por exatamente essa mesma situação de querer ser único, de querer ser autêntico, de querer ser sem rótulo, sem classificação. Eu sei disso porque eu também fui assim e creio que isso se repetirá ainda por várias gerações juvenis já que em nossa sociedade a expressão individual ainda é e será valorizada por muito tempo. 

Não há nada melhor do que ser único e isso, todos nós somos! 


[EDIT]: Só depois que publiquei e reli percebi que o título não está muito acurado, mas de qualquer forma é relativo a questionamentos vindos de meus blogs ou de pessoas que os leem.

* Todas as fotos foram salvas do pinterest sob a busca "dont label me"



8 comentários:

  1. Eu acho muito suspeita essa mania que as pessoas tem de quererem nos limitar em parâmetros. Acho que é pra dar uma falsa segurança a elas, ou seja, "eu conheço aquela pessoa, ela é assim e não irá me surpreender". Eu sempre me pego pensando sobre isso, o quanto nós somos pessoas multifacetadas e acho isso incrível, porém, muita gente insiste em negar isso, em buscar uma coisa rasa.

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    1. É bem chato mesmo, e essa cobrança é tão ultrapassada! Nossa, impressionante como geração após geração as pessoas não se desligam disso. Taí o poder das construções sociais. :(

      E como tenho blog de subculturas (algumas) pessoas pensam que "dito regras" ou que eu sou obrigada a seguir alguma, enquanto que apenas posto a história das subculturas, nada mais. Devem ser analfabetos funcionais, só pode! Ou entendem só o que querem entender.
      Enfim, são coisas que precisamos lidar quando botamos a cara a tapa na internê!
      Bjs e seu blog tá lindão! ♥

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    2. Engraçado que o que eu senti, e não sabia expressar, a Rosana falou tudo em seu comentário! Eu também fico pensando sobre isso, ainda mais agora que o "gótico está no mainstream?!" - não sei se esse feeling é verdadeiro, ou se é algo mais evidente porque meus olhos estão voltados pra estética dark própria da subcultura, mas enfim... há muitas pessoas que também me perguntam se sou gótica e afins. Me sinto da mesma forma como descreveu no texto, embora eu seja de outra geração.

      *desculpem a intromissão*

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    3. Não é intromissão não, os comentários são abertos à participação. ;)
      Pois é, parece que as pessoas tem medo do "diferente", precisam de se sentir mais seguras incomodando os outros rsrs!
      E isso que me intriga, o lance ultrapassa gerações, é algo que já devia estar superado, mas continua-se reproduzindo. O.o
      Bjs Jaque! ♥

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  2. Eu me senti muito representada nessa primeira parte do texto. Há uma necessidade de enquadrar as pessoas em rótulos que dizem 'fulano pode fazer isso, isso e isso, mas é um absurdo fazer tal coisa'. Quando eu falo que sou metaleira (o que sou 100%, porém pelo som), eu sei porque as pessoas não me vêem muito como uma e acabam me rotulando de gótica. Eu tô começando a me definir como dark, porque é simplesmente muito mais gostoso só usar qualquer roupa preta que eu goste (porque eu sinceramente gosto de um armário 90% preto). E eu passei um bom tempo da minha vida tentando ser visualmente a metaleira que eu era mentalmente. Fora que eu sempre fui muito aberta a outros estilos dentro do rock e fora deles. Esses dias eu coloquei meu celular no aleatório pra tocar em uma festa e tocou Amon Amarth, Muse, Alceu Valença, Planet Hemp, B. B. King e Nelly Furtado UAHAUHAUHUAHUAHU Foi difícil eu admitir que escutava outras coisas além de rock na adolescência, acho que minha geração tem muito isso de tentar se enquadrar e não seguir isolado, querer pertencer a um grupo, ser reconhecido nele. Nos últimos 3 ou 4 anos é que meu estilo tem se tornado do jeito que eu gosto, e sinceramente, do jeito que eu quis usar e diversos motivos me impediam. Aliás, é como a Jaque falou, o gótico deve estar mais mainstream e eu fico até meio chateada com isso, porque jogam o rótulo de "gótica" e pôxa, meu estilo é uma combinação de tantos outros, sabe? Chega a machucar a fashionista aqui! IUAUAHUAHAUSHDUHASUHA
    Beijos, Sana!

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    1. Oi Rafa!
      Sabe que não me importo que as pessoas queiram fazer parte de grupos, vai da necessiadade de cada um e se faz bem pra pessoa e é saudável, tudo bem. Porém, não entendo pessoas sejam as de grupo, sejam as 'sem grupo', se importando tanto em criticar os outros, acho que isso tem mais a ver com infelicidade, intolerância ou incapacidade de aceitar quem pensa diferente deles.

      O importante é se vestir como se sente bem :) Seja metalera, seja dark, a gente vai crescendo e mudando os gostos, a mente e isso se reflete no look.
      Eu cresci com rock sendo mainstream, então escuto super pouco outros estilos musicais, de pop eu curto A-HA, Roxette, Belle & Sebastian, alguma coisa anos 60, 70 e 80, pouca dos anos 90 rsrs, mas pop atual sou bem desinformada, e gosto de muita coisa em MPB/música brasileira.

      O gótico é mainstream há bastante tempo e acredito que certos elementos do gótico alternativo não chegam ao mainstream por serem muito "assustadores", há uma linha ali que dificilmente se massifica.

      Nem me importo que me chamem de gótica porque é a sub que mais tenho elementos em comum com certeza, mas isso só define uma parte do que sou. :D
      Bjs e adorei seu depoimento!! <3

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  3. Sana, olha eu aqui revivendo com o MenteFlutuante. O Universo Retrô tem me consumido bastante, e acabei deixando o Menteflutuante um pouco de lado, mas sempre estou aparecendo por lá agora, dando um viés mais pessoal, diferente de quando começou. Creio que seja o mesmo sentimento que você tem o o MdS e o Diva Alterantiva.

    Eu concordo com você. Apesar de ter me inserido no universo das pin-ups ao entrar na fase adulta, minha adolescência foi bem "roqueira", então, ainda carrego muito isso em mim, não consigo me desvincular da paixão por caveiras, por exemplo, rs.

    Mas eu me sinto bem livre para andar como quiser, independente dos estilos que eu gosto, apesar de ficar meio mal quando ando "meio fuleira", rs. Mas daí, no dia seguinte, para compensar, tomo um banho de "divanidades", rsrs.

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    1. Oi Daise, é verdade! Acho que você tem isso em comum comigo de ter dois blogs com focos independentes e deve compreender o quanto precisamos dividir nosso tempo e ao mesmo tempo atender às exigências dos dois públicos assim como nossas próprias exigências :D

      Ah mas uma vez roqueira sempre roqueira né? hahahaaha é difícil se livrar! (não que a gente queira!) ♥
      Bjs!

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